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UMA PESSOA, UMA HISTÓRIA

Alguns moradores contaram um pouco sobre o convívio no bairro e suas peculiaridades, o que mais marcou seu período como morador e se notou muitas mudanças ao longo dos anos.
(Os textos foram editados apenas para facilitar a compreensão)

Alexandra, moradora há 32 anos (desde que nasceu)
Ah eu sou apaixonada por esse lugar. Meu marido já quis mudar, mas eu não quero não, quero ficar aqui. É tão simples, mas tão acolhedor. Antes tinham poucos moradores e era muito mato, mas foi vindo cada vez mais pessoas buscarem um cantinho e sempre foram todos acolhidos, como eu fui. Uma certeza que eu tenho é do quanto todo mundo aqui se cuida, se interessa por ajudar o outro. Podem não se falar tanto, mas estão sempre protegendo o outro. Alguns podem chamar isso de fofoca (risos)... eu posso até ser fofoqueira, mas se eu reparar que alguém tá precisando de ajuda, vou correndo. Uma coisa que me marcou muito foi a nossa escola, sabe? Sempre muito unida, era lindo ver todo mundo participando dos eventos, lotava! Aqui todo mundo parece uma família.

Maria Aparecida, moradora há 20 anos
Eu morava em um bairro que poderia ser considerado de classe média. Passei por algumas dificuldades financeiras e precisei me mudar para um bairro de classe considerada mais baixa. Confesso que no começo eu tinha receio da mudança do meu convívio social, tinha medo de não ser incluída na comunidade. Eu era nova, tinha três filhas em fase escolar que estavam morrendo de medo de perder os amigos. Quando eu cheguei, lembro até hoje quanta gente se ofereceu pra me ajudar, me passavam até o contato, diziam para ligar. Comecei a frequentar a igreja católica do bairro e eu nunca me senti tão abraçada. Sou grata até hoje pela ajuda que me deram e as minhas filhas. Uma situação que sempre marcou nossos anos aqui são as festas juninas da comunidade. É lindo de ver, tanta gente, tudo feito com tanta ajuda da comunidade.

Amélia, moradora há 34 anos
Eu sou uma das moradoras mais antigas; a maioria das pessoas da minha época ou morreu ou acabou se mudando ao longo dos anos, mas eu me mantive aqui. Quando vim  foi por trabalho. Meu marido trabalhava na região do ABC e a maioria que trabalhava lá vinha morar aqui na Cidade Líder. Lá era considerado dormitório do pessoal e tinha muita favela em volta, ocupação. Viemos para cá pois era barato pela proximidade com a Líder e porque estava mais vazio ainda, não tinha tanta gente. Eu vi nosso bairro crescer.




Festa junina da igreja São José, 2010

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