O extremo leste de São Paulo possui desde antigos aldeamentos e núcleos de colônias de imigrantes, como o de Itaquera, até bairros recentes como Cidade Tiradentes, que em 1980 contava com apenas 10 mil moradores e hoje lá moram mais de 200 mil pessoas. Apesar de conviverem com problemas estruturais e ainda não possuírem bens tombados, estes bairros são referência por sua diversidade e cultura. O bairro de Itaquera é a casa da escola de samba Grêmio Recreativo Leandro de Itaquera e também é lembrado por ser a sede do estádio do Corinthians.
Durante os séculos 19 e 20 a região recebeu muitos imigrantes, primeiro italianos e espanhóis e, mais tarde, trabalhadores do nordeste, Minas Gerais e Japão. Estes imigrantes marcam a região com suas tradições culinárias, religiosidade e festas típicas.
A primeira referência a Itaquera data por volta de 1620, quando o local ainda fazia parte do Aldeamento de São Miguel. A região de Itaquera, Guaianases e Lajeado era território dos índios Guaianás. Eles eram nômades e ocupavam um grande território que ia da Serra de Paranapiacaba até a foz do Rio Paraíba, no estado do Rio de Janeiro.
Antiga Igreja da Santa Cruz/Wikimidia
Por estas terras passava um antigo caminho estabelecido pelos jesuítas ainda no século 16, que ligava os aldeamentos jesuíticos ao longo de São Paulo, Vale do Paraíba e Rio de Janeiro. O caminho foi muito usado por bandeirantes e para o transporte de café no século 19. Assim como outros bairros da cidade, o povoado de Guaianases cresceu ao redor da Capela de Santa Cruz do Lajeado, inaugurada na segunda metade do século 19.
Em 1875 foi inaugurada a Estação de Itaquera, que conectava São Paulo e Rio de Janeiro e pertencia à Estrada de Ferro Norte, posteriormente chamada de Central do Brasil. As linhas ferroviárias tiveram papel importante no desenvolvimento e formação dos bairros da cidade, pois ao redor dela se formaram áreas comerciais e residenciais. Com a instalação da estação de trem chegaram muitos imigrantes italianos e espanhóis. Os primeiros se estabeleceram como comerciantes, enquanto os espanhóis passaram a se dedicar à extração de pedras nas Pedreiras Lajeado e São Matheus.
A Igreja de Nossa Senhora do Carmo, construída em estilo neogótico no final da década de 1920, destaca-se na paisagem do bairro e vincula-se ao início da urbanização dessa área, também.
Além das ferrovias, outro vetor para a urbanização da cidade durante o século passado foi o loteamento das fazendas e chácaras. É o caso do bairro Parque do Carmo, que nasceu da divisão da Fazenda Caguaçu. O bairro possui um parque de mesmo nome, bastante conhecido pelo Planetário do Carmo e a Festa das Cerejeiras, uma tradição japonesa. No bairro há forte influência nipônica, tendo se constituído uma colônia de imigrantes que passaram a se dedicar à produção agrícola, a partir da década de 1920.
A história mais recente da ocupação paulistana na região se desenrolou durante a segunda metade do século 20. Foi quando migrantes nordestinos, mineiros e do interior do Estado vieram para São Paulo em busca de trabalho e melhor qualidade de vida. Essas famílias procuravam locais baratos para se instalar e assim se formaram bairros como Cidade Líder, Cidade Tiradentes e São Bonifácio. A partir da década de 1940 muitos trabalhadores das indústrias do ABC moravam na Cidade Líder, que ainda hoje é considerada um bairro dormitório. Em 1975, a Prefeitura do Município de São Paulo iniciou a construção de conjuntos habitacionais em Cidade Tiradentes. Nos arredores dos conjuntos se iniciou a ocupação irregular e o surgimento de favelas.
José Bonifácio também teve seu desenvolvimento após a implantação do Conjunto Habitacional José Bonifácio, nos anos 1980. No bairro fica o Parque e Casa de Cultura Raul Seixas, que representa a maior área verde próxima ao Conjunto Habitacional. Suas edificações são remanescentes da fazenda da família Morganti.
Na década de 1930, esta família produzia carvão, lenha e tijolos e contribuiu para o desenvolvimento dos bairros da região. A vegetação do parque é composta por árvores como pau-brasil, jerivá e goiabeiras. Também há aves migratórias como o pica-pauzinho-verde-carijó e o arredio-pálido.
Texto disponível em:
https://jornadadopatrimonio.prefeitura.sp.gov.br/2021/index.php/leste-3-itaquera-cidade-lider-parque-do-carmo-jose-bonifacio-lajeado-guaianases-e-cidade-tiradentes/
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